quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Rosquinhas da vovó... perdidas e encontradas, finalmente!!!



Olha aí a receitinha...

2 colheres de sopa de manteiga
3/4 de xícara de açúcar
1 ovo
1 xícara de leite
1 colher de chá de nós moscada
1 colher de chá de sal
2 1/3 de xícara de farinha de trigo
2/3 xícara de araruta
1 colher de sopa de fermento em pó

Bata a manteiga com o açúcar e depois acrescente o ovo batido, coloque alternadamente o leite e os ingredientes secos peneirados. Se precisar, junta mais farinha de trigo.
Estenda a massa com o rolo (mais ou menos 1 cm de espessura), corte em rodelas, faça um furo no meio e frite-as em óleo quente.
Polvilhe com açúcar e canela.

Tem gosto de infância...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Mais Clarice...


Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

sábado, 8 de maio de 2010

Ler sempre é a opção



Quem conhece pode escolher melhor: a importância de bons livros para crianças

Virgínia Gastaldi

"Como levar os educadores a escolherem bons livros para suas crianças? Comecei o trabalho compartilhando com as professoras de uma instituição de educação infantil do Rio de Janeiro um
texto de que gosto muito. Arrebatadas pelo poder de Malika e outras histórias, elas iam se dando conta da importância da diversidade e qualidade dos textos. Essa experiência contribuiu para que pudessem selecionar melhores livros para as crianças".

Iniciei o encontro de formação fazendo com as professoras o que mais gosto e acho importante. Levei para ler Eu, Malika Ofkir, prisioneira do rei, de Malika Ofkir e Michéle Fitoussi. É um livro autobiográfico em que Malika conta sua insólita aventura de nascer e viver no Marrocos: membro da elite militar, filha adotiva do rei Mohamed V e depois prisioneira do rei Hassan 11, junto com sua mãe e cinco irmãos, por mais de vinte anos. Falei sobre o livro, minhas impressões e o forte impacto que me causou. Depois li um trecho que selecionei para a ocasião: Malika conta sobre os onze anos consecutivos em que, durante todas as noites, contou histórias a seus irmãos, sua mãe e uma empregada que os acompanhou na prisão.

Enquanto lia, via um interesse e uma emoção nos olhos e nas expressões que me deram a certeza de que a porta de entrada para a valorização do prazer de ler na formação de leitores é essa mesma: a própria leitura. No final, falamos brevemente sobre o que a leitura havia desencadeado em nós e sobre o quanto aquela referência comum, agora posta entre nós, nos ligaria sempre e poderia ser invocada a qualquer tempo em que nos reencontrássemos, porque fora compartilhada.


O segredo da formação de leitores

Terminada a leitura, chamei a atenção sobre os passos que havia seguido: a apresentação, seleção e preparação prévias do trecho lido, os motivos explicitados, a consideração do leitor, o incentivo aos comentários posteriores e o clima criado, destacando-os como intencionais, planejados, não acontecidos ao acaso. Essas são as orientações para o trabalho com leitura pelo professor. Esse o
lugar e a forma da leitura na escola, especialmente na educação infantil. Intenções claras e etapas bem definidas a cumprir, num clima de respeito e interação com o texto e o leitor.

O que tem que acontecer para isso? Eu, professora, também preciso achar o texto interessante ou ter um motivo relevante para trazê-lo para as crianças. Cada texto escolhido, cada leitura feita, cada sessão de comentários, cada realidade criada, convergem para a formação de leitores atentos, curiosos, interessados e interessantes. Essa é nossa meta, nosso contrato maior: capturar os leitores
para o prazer e a importância de ler.

Falando em contrato, propus trabalharmos para a dinamização e o enriquecimento das atividades de leitura realizadas na instituição. Isso implicaria em ações para ampliar e diversificar o acervo de livros e ações planejadas junto às crianças com objetivos bem definidos e estratégias pensadas para tal. Nosso trabalho durante o processo de formação foi conhecer e criar boas atividades para formar falantes, leitores e escritores competentes.

Elas vibraram e acharam aquela tarefa muito importante e, ao menos ao ouvi-la a como enunciado, prometeram-se com ela. Gostaram da idéia de que conhecer e dominar a língua é saber usá-la, produzir e compreender textos e temas como falante, leitor ou escritor, em diferentes situações, com diversos fins e múltiplos interlocutores. Enquanto eu falava sobre a leitura, uma das professoras disse:

– Mas também, você escolhe cada livro! – como que dizendo “assim é fácil”.

Esse segredo é exatamente o nosso trabalho – respondi, sorrindo – Escolher cada texto! Exatamente esse foi o próximo passo para aquele dia: pensar sobre os livros a serem escolhidos para ler.


Há livros e livros: quais vão para as crianças?

Pedi às professoras que levassem para a reunião os livros que haviam lido para as crianças nas últimas duas semanas, aqueles que sempre lêem. Foi o melhor que podia ter feito. Foi uma excelente situação para podermos comentar e discutir a qualidade dos livros. Observei que todas tinham separado pilhas de livros o que demonstrou o envolvimento com a leitura e a importância de investir nessas atividades em sala de aula.


Primeiros resultados do encontro de formação

As professoras dos berçários I contaram que passaram a escolher os livros com mais cuidado. Observaram que as crianças gostaram muito de rimas, por isso leram “Rimas Infantis", um livro que tem legendas rimadas para imagens de crianças, com figuras de bola, animais etc. Disseram que as crianças, estavam mais familiarizadas com os atos de leitura e que gostaram muito desses
momentos. Elas também se sentiram mais animadas para fazê-lo.

As professoras do berçário mostraram livros de pequenas histórias com uma série de imagens com legendas. Trata-se de um conjunto que, a rigor, não é uma história, embora sejam chamados "livros de histórias".Também separaram vários de plástico. Perguntei se os liam.

– Sim, e as crianças gostam muito, apontam as figuras, gostam muito de imagens.

É verdade. As crianças gostam muito de imagens. Então pedi que as mostrassem. Conjuntos de animais, frutas, objetos de higiene, pessoas, figuras geométricas, cada página com uma figura. Atendendo à idéia de ser "educativo", havia uma etiqueta embaixo dizendo sabonete, esponja etc. Eu também havia levado a minha pilha de livros. Tirei da minha malinha Zuza e Arquimedes da Eva Furnari. Mostrei a capa e fui folheando, pedindo que elas descrevessem o que viam. Uma arca, um homem olhando:

Como sabem que ele está olhando? Perguntei.

– Ah, o jeito, o lado para onde a cabeça está virada – alguém respondeu. O homem próximo da arca, a arca aberta com um monstro e ele assustado...

– Como sabem que está apavorado? O cabelo e o corpo para trás, quase levantando do chão, como que encostando em algo, os olhos esbugalhados...– E assim fomos.

O monstro sem máscara. São duas crianças. Quem serão? Elas riem. Nova cena. Uma mulher e a arca. A arca se abre, ela se assusta, corre, as crianças riem. Nova cena. Epa! Um monstro

– Agora vamos ver esse.
– Não, não – responderam, entendendo tudo.
– Por que? – perguntei.
– É muito sem graça – uma delas respondeu.
– E por que os lemos? – retornei.
– Porque são para crianças – respondeu-me a outra.
– São educativos – alguém completou.
– Hum ... – disse eu, continuando nossa conversa.

Então quem escreveu pensou em ensinar. O que queria ensinar? As formas geométricas, as cores, os hábitos de higiene. E como? Uma coisa por vez, tudo bem separado para a criança poder ver bem e repetir. E é assim que as coisas se apresentam no mundo? É assim que as crianças pequenas aprendem? Vocês, todos os dias com os bebês, acham que elas olham, escutam, pensam uma coisa por vez? Claro que não, eles vêem tudo ao mesmo tempo! E assim fomos refletindo o que se pensa sobre criança, ensinar e sobre ler.

– Acham que as crianças podem entender e gostar de livros diferentes dos que eu trouxe? Então porque não lêem esse tipo de livro?
– Porque não conhecemos – disse uma professora.

Chegamos, então, a um outro ponto importante: conhecer diferentes livros. Conhecer e ter, alguém acrescentou.


Quem conhece pode escolher

Com os livros na mão, fomos ainda discutindo como poderíamos levá-los às crianças, que cuidados deveríamos ter, já que estão acostumadas a puxar, morder e amassar os de plástico. Então não é mais para ter esses livros? Não, nada disso. É preciso ter o maior número e a maior variedade possíveis.

– Mas na hora da história vou ler esse – disse Nancy, apontando para o da Eva Furnari.
– Isso! Você acabou de falar algo muito importante para a segunda parte do nosso trabalho de hoje – disse eu, pedindo a Nancy que anotasse o que havia dito por que era uma orientação didática importantíssima para o trabalho com histórias – selecionar previamente os textos.

Selecionar. Não se trata de censurar, proibir, coisas do gênero. Trata-se de escolher aqueles que serão objeto de maior atenção, de ações planejadas, seqüenciadas, intencionais, com objetivo definido. Além do mais, precisamos ter e conhecer diferentes livros para possamos promover discussões, criticar nosso acervo, como fizemos juntas. Quem conhece, escolhe. Quem não conhece é escolhido pelo livro.

Nesse tom continuamos. As professoras do maternal, que estavam trabalhando o tema dos animais, haviam levado primeiramente alguns livros sobre o assunto. Outra versão dos de plástico. Um deles apresentava uma ovelha humanizada que contava como elas nascem, crescem têm o pelo cortado e se transformam em lã. Tudo muito empobrecido. Comentei o livro apontando os mesmos elementos
do livro de plástico. As mesmas idéias, as mesmas concepções, o mesmo pressuposto de que a leitura é instrumental, não tem um fim em si mesma. Para tornar isso mais evidente, eu o li com uma voz meio melosa e "educativa". Elas morreram de rir, repetindo que era muito bobo.

Para continuar, pedi a Lena, uma das professoras, que lesse um trecho do livro, Branca de Neve, em versão condensada, que havia na instituição. Algo como:

– Havia uma menina chamada Branca de Neve que tinha uma madrasta muito má que todos os dias se olhava no espelho e perguntava: espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu? – e pronto.

Li em seguida Branca de Neve e outros contos de Grimm, com seleção e adaptação de Ana Maria Machado:

– "Há muito e muito tempo, bem no meio do inverno, quando os flocos de neve caíam do céu leves como plumas, uma rainha estava sentada costurando junto a uma janela com esquadrias de ébano. Costurava distraída, olhando os flocos de neve que caíam lá fora e, por isso, espetou o dedo com a agulha e...três gotas de sangue caíram na neve. Aquele vermelho em cima do branco... "

– Nossa! Que lindo! Que diferente! Olha, esse livro conta por ela se chama Branca de Neve! – disse uma pessoa do grupo.

A partir daí, o grupo fez o trabalho quase que sozinho. Comparamos diferentes versões de Os três porquinhos e outros. Foi só encantamento. As professoras do jardim 1, 2 e 3 diziam que os seus alunos também não conheciam essas versões.
Como fazer para que as apreciassem? Ler direto a versão mais longa e complexa? Contar em um dia e ler em um outro? Ler a mais simples e depois a mais complexa? Existem muitas maneiras. O importante é que as crianças têm que conhecer todos esses textos.


Combinados para garantir uma boa leitura na escola

E a biblioteca, como melhorar seu acervo? Sugeri uma campanha de livros entre os pais e amigos. No próximo encontro, todas, levaríamos ao menos um livro como contribuição para a biblioteca. Não importava se novo ou usado, todas nós íamos ampliar as escolhas para educadoras e crianças. Animadas, as professoras foram listando tudo o que deveria haver na biblioteca: poesias, brincadeiras cantadas, rimas, de histórias etc.

Para terminar, exibi em vídeo cenas de crianças de 2 anos folheando livros, de um trio de crianças em que uma delas "lê" para as outras duas. Uma outra cena em que uma criança "lê", folheando as páginas delicadamente e acompanhando com o dedinho a história que conta. Elas acharam que aquilo não era possível. Se não vissem, não acreditariam. Como tornar possível? O que o professor deve fazer? Fomos discutindo e pontuando a diferença entre desenvolvimento e aprendizagem.
Aquelas crianças do vídeo aprenderam a folhear os livros, a manuseá-los cuidadosamente, a deleitar-se com seu conteúdo etc. Aprenderam porque um professor ensinou. Como se ensina? O que o professor deve considerar ao planejar o trabalho com leitura de histórias?

Vimos que ninguém sabia que tudo isso era tão importante. Agora que sabemos, o que o professor deve fazer? As professoras então foram ditando – e eu – pondo na lousa uma lista de orientações para trabalhar histórias. Não são lindas essas professoras?


Avaliação do encontro

O que aprenderam? A selecionar livros a ter olhar mais crítico, gosto pela leitura, a conhecer e se organizar antes, a importância da atitude do educador, sua postura, a manter o interesse e a atenção das crianças, a respeitar seus limites, a ter objetivos claros e, saber a importância de trabalhar desde sempre com os pequenos. Achei que valeu o meu dia, a minha semana, antes e depois, tudo.

Orientações didáticas para a leitura de histórias

• Conhecer o texto e prepará-lo com antecedência.
• Criar sistemática de leitura na rotina diária.
• Considerar o conhecimento prévio das crianças.
• Planejar em seqüência, em ordem crescente de desafios.
• Adequar o tempo e o tipo de leitura à condição da criança.
• Diversificar títulos e versões.
• Ampliar o repertório de histórias conhecidas pelas crianças.
• Criar ambiente agradável e aconchegante.
• Ter atitude cuidadosa de quem lê para o outro é referência como leitor.
• Explicitar suas preferências.
• Explicitar o motivo da leitura.
• Preocupar-se com a qualidade literária e não com o conteúdo moral.
• Garantir na rotina contato com livros de tipos e gêneros variados, para a formação de leitor crítico.
• Fazer sequência de planejamento ou projetos envolvendo leitura.

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Para Saber Mais


• Eu, Malika Ofkir, prisioneira do rei. Malika Ofkir e Michele Fitoussi. Cia. das Letras.
• Contos de Grimm. Vols. 1 e 2. Tradução de Maria Heloisa Penteado. Ed. Ática.
• Contos de Grimm. Tradução de Tatiana Belinky. Ed. Martins Fontes.
• Contos de Grimm. Tradução de Heloisa Jahn. Ed. Cia. das Letrinhas.
• Livro de Histórias. Ed. Cia. das Letrinhas.

http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm?pg=revista_educarede.especiais&id_especial=470

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Importa???


Um fotógrafo-artista me disse uma vez:veja que o pingo de sol no couro de um lagarto é para nós mais importante do queo sol inteiro no corpo do mar. Falou mais: que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balança nem com barômetro etc. Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós. Assim um passarinho nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que a Cordilheira dos Andes.
Que um osso é mais importante para o cachorro do que uma pedra de diamante.
E um dente de macaco da era terciária é mais importante para os arqueólogos do que a Torre Eiffel. (veja que só um dente de macaco!) Que uma boneca de trapos que abre e fecha os olhinhos azuis nas mãos de uma criança é mais importante para ela do que o Empire State Building.
Que o cu de uma formiga é mais importante para o poeta do que uma Usina Nuclear. Sem precisar medir o ânus da formiga.
Que o canto das águas e das rãs nas pedras é mais importante para os músicos do que os ruídos dos motores da Formula 1. Há um desagero em mim de aceitar essas medidas.P orém não sei se isso é um defeito do olho ou da razão.
Se é defeito da alma ou do corpo.
Se fizerem algum exame mental em mim por tais julgamentos, vão encontrar que eu gosto mais de conversar sobre restos de comida com as moscas do que com homens doutos.
Manoel de Barros

Clarice...





Tenho várias caras.
Uma é quase bonita, outra é quase feia.
Sou um o quê?
Um quase tudo.

Clarice Lispector

Simplicidade...

Escrever nem uma coisa nem outra - afim de dizer todas ou, pelo menos, nenhumas, assim, ao poeta faz bem desexplicar - tanto que escurecer acendo os vaga-lumes...


O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura é o caminho que o homem percorre para se conhecer.Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim falou que só sabia que não sabia de nada. Não tinha as certezas científicas. Mas que aprendera coisas di-menor com a natureza.Aprendeu que as folhas das árvores servem para nos ensinar a cair sem alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente aprender o idioma das rãs. E gostasse mais de ensinar que a exuberância maior está nos insetos do que nas paisagens. Seu rosto tinha um lado de ave. Por isso ele podia conhecer todos os pássaros do mundo pelo coração de seus cantos. Estudara nos livros demais. Porém aprendia melhor no ver, no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar. Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens. Se admirava de como um grilo sozinho, um só pequeno grilo, podia desmontar os silêncios de uma noite! Eu vivi antigamente com Sócrates, Platão, Aristóteles – esse pessoal. Eles falavam nas aulas: Quem se aproxima das origens se renova. Píndaro falava pra mim que usava todos os fósseis lingüísticos que achava para renovar sua poesia. Os mestres pregavam que o fascínio poético vem das raízes da fala.Sócrates falava que as expressões mais eróticas são donzelas. E que a Beleza se explica melhor por não haver razão nenhuma nela. O que mais eu sei sobre Sócrates é que ele viveu uma ascese de mosca.


_________________ e _________________


Achava que os passarinhos
são pessoas mais importantes
do que aviões.
Porque os passarinhos
Vêm dos inícios do mundo
E os aviões são acessórios.

Manoel de Barros


Ilustrações: Acrílica s/ tela de Martha Barros, filha do poeta mato-grossense Manoel de Barros, herdou do pai o lirismo e o gosto pelas coisas pequenas, pelo intocado, que a leva a recriar a inocência.


“Tudo que não invento é falso” - Manoel de Barros


"Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O quando mandava em nós. A gente era o que quisesse ser só usando esse advérbio. Assim, por exemplo: tem hora que eu sou quando uma árvore e podia apreciar melhor os passarinhos. Ou tem hora que eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas tardes. Hoje eu estou quando infante. Eu resolvi voltar quando infante por um gosto de voltar. Como quem aprecia de ir às origens de uma coisa ou de um ser. Então agora eu estou quando infante. Agora nossos irmãos, nosso pai, nossa mãe e todos moramos no rancho de palha perto de uma aguada. O rancho não tinha frente nem fundo. O mato chegava perto, quase roçava nas palhas. A mãe cozinhava, lavava e costurava para nós."